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domingo, maio 30, 2004

Roland Garros chez nous

Não perdemos um dia do torneio, aqui na televisão, nesta semana (tá passando na France 2 e 3): Guga ganhou o "troféu chou-chou", dado pelos telespectadores, ao jogador mais simpático, logo à frente do Marat Safin. E parece estar voltando a jogar o fino: Paris parece fazer bem a ele, e eu entendo perfeitamente o porquê...

Mas bom mesmo seria conseguir um ingresso prá assistir um dia que fosse lá, ao vivo. Os ingressos estão esgotados desde março, mas todo dia, a partir das 5 da tarde, eles reabrem a bilheteria prá quem estiver por lá (são umas 500 pessoas, pelo menos), prá vender os ingressos daqueles que houverem deixado o complexo.

Teríamos que estar lá, em primeiro lugar (o que significaria parar de trabalhar, por um dia, ao menos) e, depois torcer que alguém deixasse seu lugar (o que duplamente impossível, especialmente na segunda semana do torneio, a mais emocionante e concorrida).

Enfim, acho que vamos ficar mesmo com a opção "TV e fritas", chez nous...


posted by Benjamim Picado  # 7:06 PM (0) comments
Dois pianos na noite de Paris

Betti apanhou uma gripe forte na terça (fomos ao aniversário de Larissa, uma doutoranda do PPGAC, lá na casa de Isa), bebeu um pouco demais e, voltando prá casa, madrugada fria, se esqueceu de se colocar o cachecol, resultado: na quarta, já estava sem voz, com dores pelo corpo todo.

Ficou de cama os dois dias seguintes, mas entrou num tratamento intensivo, com muito chá de limão com alho, vitamina c, xaropes e anti-gripais, porque tínhamos dois bilhetes pr'um espetáculo, na sexta-feira, que simplesmente não poderíamos perder, de jeito nenhum.

Duas semanas atrás, Debby Growald, uma amiga nossa, concertista e coreógrafa, nos passou estes dois ingressos que ela tinha mas não poderia usar, porque levaria a mãe pro aeroporto, no mesmo dia: dois ingressos prá um concerto de dois pianos, com Nelson Freire e Martha Argerich. Repito: CONCERTO COM NELSON FREIRE E MATHA ARGERICH, e nós tínhamos os dois ingressos!!!! OOOhlala...

Na sexta, estávamos lá, com resto de gripe e tudo o mais, num teatro pequeno e lindíssimo, o Caveau, pertinho da estação Miromesnil, no 8eme. O programa era ótimo, sem ser muito eclético, mas com algumas concessões clássicas (uma variação de Schubert sobre Haydn, no início e um Schumann) e muita coisa moderna (sobretudo Ravel, com uma valsa e uma suíte), e outras coisas que não deu prá reconhecer (nem prá registrar, porque não tínhamos dinheiro pro programa, 8 euros).

No fim, a platéia simplesmente não os deixava sair, pedindo um bis atraés de outro: foram uns quatro, eu até perdi a conta, minhas mãos doiam no final, de tanto aplaudir.

Honestamente, não tenho muita experiência de música de concerto, embora goste muito, mas o ponto alto foi num momento mais suave do concerto de Schubert, em que eu me abstraí, por uns instantes dos dois no palco, prá olhar os rostos na platéia (estávamos numa posição muito favorável no teatro, perto do palco, mas na lateral, o que nos permitia ver os dois, mas também olhar prá platéia); fazia muito tempo que eu não me emocionava com feições humanas: um estado de concentração, uma variedade de expressões e de afecções, realmente uma coisa a não se esquecer.

Isto à parte, os dois são mesmo fenomenais: prá quem viu o documentário do João Moreira Salles, são os dois que ficam o tempo inteiro num quarto, atrás dos pianos, brincando e conversando sobre música e concertos. Ainda ontem, assistimos um outro documentário (este sobre Martha),no canal "Arte" com algumas imagens da juventude dela, igualmente fabulosas. Parecem dois seres completamente alienados da realidade ordinária, totalmente devotados ao que podem fazer musicalmente.

Já pedimos a Debby que nos ponha no circuito dos concertos da cidade: queremos ver tudo o de melhor, com ela...


posted by Benjamim Picado  # 6:15 PM (0) comments

terça-feira, maio 25, 2004

Redescobrindo vozes

Semana passada, ainda fomos ao Theatre de la Ville, ver um espetáculo de uma coreógrafa holanesa, muito famosa, Anne Thèrese de Keersmaeker: ela tem uma companhia, chamada "Rosas", fantástica, que o Greenaway filmou certa feita, dentro de um palácio, um coisa fabulosa.

Betti ganhou uns ingressos pr'um outro espetáculo dela, duas semanas atrás, mas ficou decepcionada: eram quase três horas de dança, tecnicamente impecável, mas sem qualquer propósito, sem nenhuma fio condutor, nenhuma história (diria Wilson, sem "mythos").

De qualquer modo, o que fomos ver era um solo (não mais do que uma hora, de fato, uns 50 minutos, o tempo de um LP, o tempo em que é possível ficar-se sentado, numa mesma posição, em estado de concentração absoluta, o tempo de uma corrida de fórmula 1 em monza, o tempo que todo espetáculo deveria durar, por princípio: é possível que seja o tempo que duram nossos sonhos...), todo em cima de músicas de Joan Baez.

Meio decepcionante, novamente: mas valeu por redescobrir a voz e Joan, meio esquecida prá mim, cantando Dolores Duran ("Manhã de Carnaval", em português mesmo, cheia e sotaque), só voz e violão. Por vezes, nem percebi que estava vendo um espetáculo de dança e, de fato, ficava tentando prestar atenção numa capa de LP que estava no cenário, prá ver se adivinhava qual disco de Joan era aquele, prá correr prá primeira loja e comprar o dito cujo.


posted by Benjamim Picado  # 1:10 PM (0) comments
Narrativas de Saint-Denis

Pois bem, o jogo em Saint-Denis: melhor dizendo, o jogo não, a experiência de Saint-Denis; sim, porque foi (pelas minhas contas), a quarta vez que frequento um estádio que foi sede de final de Copa do Mundo: Maracanã (é claro), Centenário de Montevideo (vi uma final de Libertadores, com o Cruzeiro e Boca, junto com meu velho, em 77, perdemos nos penaltis), Santiago Bernabeu (vi o Real levar um baile do Bayern, quando Bernardo morava em Madrid) e, agora, o Stade de France.

Que é, disparado, o mais bonito do quatro (disputando, palmo a palmo com o Bernabeu): super confortável, facílimo de acessar, cheio de serviços, só tem um defeito, poucos banheiros (passei o segundo tempo inteiro me abstraindo do fato de possuir uma bexiga, porque estava impossível esperar na fila durante o intervalo). saímos eu e betti daqui da cité e, sem trocar de linha, estávemos lá, em 20 minutos, meia hora no máximo. Chegamos uns quarenta minutos antes do início do jogo (impensável prá um evento desta natureza, se o jogo fosse no Brasil).

Quando saímos da estação "La Plaine", parecia uma cena de estádio brasileiro: uma avenida imensa, repleta de barraquinhas, vendendo churrasco (provavelmente, de gato francês...), umas tocando daniela mercury, outras alcione, e por aí ia, africanos e árabes à beça, com as indefectíveis placas "cherche place" (depois falo delas), até gente da "máfia azul" (era a minha torcida organizada em bhz, na floresta) encontrei lá (evidentemente, fui com minha camisa do cruzeiro...).

O estádio estava lotadíssimo, e dei graças a Deus e a Henrique (o vizinho daqui da Maison de quem comprei os bilhetes) e ter conseguido um lugar pro evento, com tão pouca antecedência (menos de um mês antes do jogo, um verdadeiro milagre, por 130 euros, os dois bilhetes). Os lugares eam ótimos, embora fossem na tribuna alta (era o último lugar, lá no alto do estádio, nem se eu me vestisse de baiana, as câmeras me encontrariam).

Como é evidente neste tipo de coisa, os brasieliros logo se agregam em algum canto do estádio e, por sorte ou azar, nós nos tornamos o centro da tal gravitação, de modo que a maior parte das vezes em que o brasil atacava, o som de torcida que se ouvia era o do nosso lado. No fim das contas, foi a parte mais divertida do jogo: enquanto os franceses gritavam "allez les bleus", nós retrucávamos "arretez les bleus"; na hora da marselhesa, nos intervalos do hino, gritávamos "à bastille, citoyens!"

O jogo mesmo não foi grande coisa, embora tenha sido melhor do que o que se ouviu nos comentários da imprensa: não era jogo prá alguém ganhar mesmo, os dois times estavam meio de "freio de mão puxado", mas valeu por algumas coisas. Zinedine Zidane é mesmo o melhor jogador do mundo, hoje, é impressionante como ele clareia o jogo, quando a bola vem prá ele.

Teve um lance, que todo mundo deve lembrar, na meia lua francesa, uns quatro brasileiros em cima dele, num rebote, ele mata a bola quase no ombro, ele vem cair no pé direito dele, e, antes de tocarem no chão (ele e a bola), ele faz o passe, no meio da marcação, e acha um francês livre, pronto pro contra-ataque (a coisa durou não mais do que uma fração e segundo, mas a gente via tudo como se fosse em câmera lenta, dava prá antecipar o lance). Quando o lance terminou, ficamos os brasileiros, feito bestas, olhando um pro outro, e eu pensei, comigo: putaquiupariu, e o Real Madrid, com um jogador desse, não consegue ganhar nem o campeonato espanhol?....

Disparada, foi a lembrança mais forte que vou guardar desta tarde...


posted by Benjamim Picado  # 12:29 PM (0) comments

sábado, maio 22, 2004


prá quem só acredita vendo...aí estão os bilhetes - depois conto como foi...
posted by Benjamim Picado  # 12:07 PM (0) comments

quarta-feira, maio 19, 2004

Falando em futebol, é amanhã o dia...


posted by Benjamim Picado  # 8:50 PM (0) comments
Ontem foi o último dia dos seminários dos DEA's (Morizot, de manhã; Fresnault, à tarde): recebi de presente, do primeiro, um exemplar da "Révue Francophone d'Esthétique", que ele edita junto com o Jean-Pierre Cometti e o Roger Pouivet. O tema edste seminário foi precisamnete o do número da revista, "Évaluer les arts", a questão do estatuto do juízo na experiência estética, mas também na crítica das artes.

À tarde, com Fresnault, se desfez um pouco a má-impressão das últimas semanas: ele retomou a questão da interpretação das imagens, explorando agora os percursos associativos, que ele chama de "isotopias" (eu chamaria de "semelhanças") das imagens. Usou Man Ray e Magritte prá falar do assunto: ele dinamiza bem as exposições, sempre jogando com exemplos de imagens, fotos, quadrinhos, mas é pouco conceitual.

Enfim, agora temos o tempo mais livre prá pesquisar as bibliotecas e pensar no que fazer, nos seminários do próximo semestre. Se não fosse um pescoção (uma inflamação nas costas), que arranjei ontem, depois de uma corrida no parque, com Betti (culpa minha, não me alonguei direito, depois dao exercício), já estaria hoje numa biblioteca qualquer (Betti foi com Isa, hoje, lá na BNF, ver as coisas de teatro e dança).

Em compensação, tô comendo todos os queijos da casa, enquanto assisto a final da copa a UEFA (Olympique e Valência estão jogando numa cidade sueca chamada...GOTTENBORG: familar, não?).


posted by Benjamim Picado  # 8:36 PM (0) comments

segunda-feira, maio 17, 2004

Festas, Promenades, Cous-couses e Troie

Fim de semana, as casas da Cité estavam todas em festa, parecia com aquelas feiras internacionais de meu tempo de escola: andando pelo parque, já no sábado, eu e Betti espiamos uma bandinha de jazz no quintal da casa da Dinamarca, alguma agitação no jardim em frente à Maison Internationale, e saímos prá fazer nossas coisinhas de sábado (levar umas coisinhas prum primo de Sossó que mora aqui e que está viajando pra bahia), almoçar um cous-cous merveilleux numa biboca árabe escondida num lugar improvável em frente à torre e Montparnasse.

E já que estávamos em Montparnasse, fomos procurar um cinema da UGC, já que nossos bilhetes (que a Fundação Kastler nos deu de presente) estavam queimando nos bolsos, desde a nossa chegada: decidimo que queríamos ver "Troie", do Wolfgang Petersen, a adaptação da "Ilíada" à la Hollywood. Vimos críticas falando muito mal do filme, mas que ressaltavam seu valor pedagógico, sobretudo prá garotada, que nem deve saber quem foi Homero.

Desgraçadamente, todos os cinemas da ugc que estavam passando o filme só tinham a versão dublada: ouvir Brad Pitt em francês? inadmissível?! Disseram que o cinema da cadeia, nos Champs Elysées tinha a versão original, então fomos prá lá e conseguimos reservar um lugar pro domingo, às 17:35.

Domingão de passeio de bicicleta (a primavera chegou à toda aqui, já tá fazendo uns 20 graus de dia, o sol só se põe às 10 da noite), e lá fomos nós, pegando a Saint Jacques, a Blanqui, até o Sena e a Bibliotéque Nationale (duas torres imensas, cheias de gente em fila prá entrar e fuçar lá dentro (biblioteca aberta num domingo: paris n'arrete jamais!). Tem de tudo lá, até salas de cinema e restaurantes. Decidimos não entrar na biblioteca, prá almoçarmos, compramos um dvd com um documentários sobre morin ("un regard sur edgar", parece legal), e tocamos de volta prá casa, pela tolbiac, atravessando uns três arrondissements.

Final de tarde, "Troie": um filmaço, nem vi as três horas passando, é uma experiência (a começar pela sala de cinema, imensa, com som estéreo de verdade), e a história, que é do cacete. Todos os filmes de guerra deviam vir com a inscrição "adaptação livre de 'a ilíada'". Não sei se estreou na Brasil, mas é algo a não se perder, e a não se abstrair pelo tipo de discurso que a crítica certamente vais desfiar, sobre os maneirismos de hollywood, sobre os músculos de Brad Pitt, esta sociologia toda. É filmaço, e pronto!!


posted by Benjamim Picado  # 12:02 PM (0) comments

quarta-feira, maio 12, 2004

À tarde, terça-feira, seminário do DEA de Fresnault: não queria comentar não, mas acho que o tal do Pierre parece cansado, neste final de semestre. Mais uma vez cedeu a aula prá continuação da apresentação de um estudante do DEA, meio sem pé nem cabeça, que mal tinha conseguido expor o assunto na aula anterior, e continuou sem andar muito mais, ontem.

Enfim...

Prá arrematar, desistiu de dar a aula e cedeu o restante do tempo a outro aluno, prá falar de um tema completamente estranho à disciplina: uma tese sobre modelos de gestão dos museus da França (ao que parece, a formação em artes, na Paris 1 também compreende a questão da administração das instituições culturais, como museus públicos e privados).

O garoto era bem desenvolto e parecia conhecer bem o problema que estava apresentando (aliás, muito mais maduro do que muitos de nossos doutorandos, e até do que certos professores). Ainda assim, fiquei com uma impressão ruim (e ao mesmo tempo familiar) desta coisa de ceder um espaço de exposição de assuntos e pesquisa, numa área específica e estranha àquela que se supõe que seja a do tópico da disciplina ("Esthétique et Communication"), apenas prá cumprir o horário.

Gostei não...


posted by Benjamim Picado  # 4:48 PM (0) comments
Tô maluco, eu?

Já ia me esquecendo de falar dos seminários da terça: de manhã, Morizot (na Paris 8), dissertando sobre um texto dele, que vai aparecer na "Revue Francophonique d'Esthétique (que ele edita junto com o Jean-Pierre Cometti), sobre "Representação e Percepção": o argumento é praticamente todo calcado no livro do Dominic Lopes, em "Understanding Pictures", que ele considera o grande livro em teoria estética recente.

Eles (Morizot e Lopes) retomam toda a linha de discussão que vem de Gombrich até Kendall Walton, prá tentar montar uma teoria da imagem que dê conta de alguns requisitos fundamentais (diversidade, abordagem fenomenológica, respeito à duplicidade, todas constitutivas dos modos de representação visual), e avaliam, um por um, todos os autores que tentaram formular esta teoria, sobretudo a partir da segunda metade do século XX.

Na exposição, Morizot se deteve no que ele chamou de "a tríade dos W": Wittgenstein, Wollheim e Walton, avaliando em cada um deles a presença ou ausância de algum destes requisitos, e detendo-se sobreudo na questão dos modos perceptivos próprios à interpretação das imagens (o "ver-como", de Wittgenstein, rebarbado em Gombrich; o "ver-em" de Wollheim, e o debate Wollheim/Gombrich, e finalmente o "imaginar-ver" de Walton e as críticas de Lopes a visão da representação enquanto ficção).

Eu estava bem mais à vontade aqui (conheço os autores, as teses e as implicções, é o que discutimos no grupo de pesquisa), e pontuei, aqui e ali, as observações de Morizot, que parece tê-las apreciado. No final, disse a ele que eu havia escrito um texto em inglês, que estava disponível numa página consagrada a Gombrich, na Internet, e que tinha precisamente por título "In-Between Pictorial Representation and Pictorial Perception: a psychological argument", apenas que dedicada ao que chamo agora e "díade dos G's", Gombrich e Gibson.

Ele pediu uma cópia do texto. Só que, visitando a tal página, vi que o mesmo sumiu; no meu HD, também não está. Minha última esperança é que o povo do grupo de pesquisa tenha algum arquivo com o dito, senão vou ter que passar o fim-de-semana traduzindo a versão em português que tenho aqui...


posted by Benjamim Picado  # 4:30 PM (0) comments
Segundas e terças são os dias dos seminários: segunda à noite foi o do CRI, lá no Panthéon, finalzinho de tarde, e eu, prá variar, correndo feito doido prá não chegar atrasado, porque passei a tarde inteira lendo, e confiando que meu rélógio não estava atrasado. Mas estava.

Enfim, cheguei atrasado de novo...aqui, como na Bahia, vou firmando minha reputação de contumaz atrasado.

Mas a nota é que as exposições do seminário foram as melhores que vi, até aqui: primeiro, um garoto (garoto mesmo, se muito tem uns 25 anos) do DEA, que apresentava um trabalho sobre o sistema da construção das imagens em Rafael (não a tartaruga ninja, mas o renascentista): ressaltou o modo como as imagens dele respeitam a um certo princípio de repetição (ele chamava de "estereotipia visual"), e de que como este princípio orienta toda a lógica da produção rafealita, como uma espécie de prenúncio de uma lógica industriual de produção de imagens, baseada na replicabilidade de modelos visuais.

mostrou isto exibindo várias imagens de rafael, em que se verifica este efeito da redundância dos modos da representação fisionômica e expressiva das ações humanas; posições e atitudes (e mesmo traços físicos de aparência visual) que se repetem, não de modo discreto, mas como uma chave do discurso visual na pintura.~bateu com algumas coisas que já escrevi sobre o modelo da discursividade visual, tomando como exemplo a pintura maneirista e barroca (e, de fato, ele falava de um rafael proto-maneirista...). muito bom, mesmo.

Ressaltou também as técnicas de "montagem" do espaço da representação, como uma espécie e "assemblage" (colagem) de espaços distintos, seja prá criar o efeito retórico e visual da separação dos espaços (céu e terra, por exemplo), seja prá misquir o plano a representação com o plano da realidade (sobretudo na exploração das possibilidades integradoras da forma-afresco).

em seguida, veio um padre espanhol, muito douto e humorado, falar das linhas gerais de seu livro, "do corpo animado ao corpo presente": também legal, mas um pouco eclético demais, misturando muitas referências (ortega y gasset, nietszche, panofsky e peirce) prá defender uma tese que, a meu ver, é falsa: a idéia de que a arte contemporânea é indexical, por exibir os traços materiais da representação.

eu tinha um monte de perguntas prá fazer a ele, mas fiquei soterrado pela quantidade de referências que ele mobilizou: elas não me enganaram, mas eu fiquei sem saber por onde começar o rosário de minhas questões. depois, em casa, relendo o capítulo em que chateau fala sobre a indexicalidade em peirce, descobri onde mora o pecado desta gente: mas isto eu conto outra hora...



posted by Benjamim Picado  # 3:08 PM (0) comments

sexta-feira, maio 07, 2004

Certas coisas não têm preço

Secteur Ouest, Porte S, Bloc S4, Tribune Haute, Place 32, Rangues 80 et 81.

Jeudi, 20 Mai 2004, Stade de France, Saint Denis, 21h00

Se a foto dos bilhetes estiver certa, Brasil e França vão entrar em campo com os uniformes de cem anos atrás...

...e eu vou estar lá prá ver. pas mal.


posted by Benjamim Picado  # 9:36 PM (0) comments
Tá feia a coisa na lista da Facom: de qualquer maneira, foi bom ver algumas pessoas concernidas com uma conduçào minimamente institucional dos assuntos do Departamento. Tenho a impressão e que se o André não houvesse lançado a deixa, eu mesmo não falaria nada (da outra vez que fiz isto, me lembro bem quem foi que reagiu...).

Mas desta vez, não: muita gente entrou na história, houve muita purgação implicada nisto, e os campos ficaram um pouquinho mais definidos, e o mais engraçado foi ver o silêncio da direção no episódio todo; fustigada em muitas falas, chamada prá se explicar, nem respondeu (acho até que algumas certas falas na discussão eram a voz da direção, taí...).

Dá o que pensar...
posted by Benjamim Picado  # 7:53 PM (0) comments
Velos a Paris

Puxa, faz muito tempo que não escrevia no blogger: muito trabalho, em casa e na rua. Compramos duas velos (bicicletas), semana passada, lá no Carrefour de Montréil (longe prá cacete, na última estação de um RER, espécie de trem suburbano). Horas prá sermos atendidos, tivemos que ir buscar um vendedor no laço, escolhemos nossos modelos, bem baratinhos, mais uma coleção de correntes e tancas (em Paris, roubam-se mais bikes que carteiras), capacetes e mochilas. Saímos todos pimposos, prontos prá encarar um longo caminho de volta em duas rodas, e quando ganhamos a rua, tava um pé d'água daqueles, num final de tarde (prá ser exato, eram nove da noite, mas com um céu de seis e meia).

Voltamos pro shopping, tomamos o caminho do metrô e viemos, mais de uma hora de viagem, carregando os camelos dentro dos vagões, até pertinho e casa, em Glaciére: fizemos o restinho montados nas bichinhas (a minha é vermelha, feito uma masseratti, a de betti, esqueci a cor, acho que é prateada, com uma cestinha de palha na frente, a carinha dela). tito comprou uma igual a minha e agora estamos planejando mil trajetos pela cidade, pelo menos enquanto ele estiver aqui. betti, que é dada a idéias estrambólicas, já está fazendo a cabeça dele prá encararmos o caminho de santiago: ai, ai, ai...

de qualquer maneira, desde que compramos (e com o tempo permitindo), temos feito alguns passeios com elas: fomos do boulevard jourdan até a géneral leclerc, depois denfert e boulevard arago, até o quartier latin, sorbonne e voltando pela st. michel até denfert e daí prá casa; depois fizemos denfert, mas saindo pela raspail, atravessando st. germain, indo até o outro lado do sena, atravessando o louvre e voltando pela pont neuf, depois st. michel, denfert, casa. já cobrimos uns quatro arrondissements nesta história, além do fato e ser ótimo descobrir a cidade pelo alto e não pelo metrô, feito dois tatus.

é uma pena que voltou a chover. mas não tem nada não: o verão chega logo e a gente volta prá queimar o asfalto...
posted by Benjamim Picado  # 7:12 PM (0) comments

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