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segunda-feira, maio 17, 2004

Festas, Promenades, Cous-couses e Troie

Fim de semana, as casas da Cité estavam todas em festa, parecia com aquelas feiras internacionais de meu tempo de escola: andando pelo parque, já no sábado, eu e Betti espiamos uma bandinha de jazz no quintal da casa da Dinamarca, alguma agitação no jardim em frente à Maison Internationale, e saímos prá fazer nossas coisinhas de sábado (levar umas coisinhas prum primo de Sossó que mora aqui e que está viajando pra bahia), almoçar um cous-cous merveilleux numa biboca árabe escondida num lugar improvável em frente à torre e Montparnasse.

E já que estávamos em Montparnasse, fomos procurar um cinema da UGC, já que nossos bilhetes (que a Fundação Kastler nos deu de presente) estavam queimando nos bolsos, desde a nossa chegada: decidimo que queríamos ver "Troie", do Wolfgang Petersen, a adaptação da "Ilíada" à la Hollywood. Vimos críticas falando muito mal do filme, mas que ressaltavam seu valor pedagógico, sobretudo prá garotada, que nem deve saber quem foi Homero.

Desgraçadamente, todos os cinemas da ugc que estavam passando o filme só tinham a versão dublada: ouvir Brad Pitt em francês? inadmissível?! Disseram que o cinema da cadeia, nos Champs Elysées tinha a versão original, então fomos prá lá e conseguimos reservar um lugar pro domingo, às 17:35.

Domingão de passeio de bicicleta (a primavera chegou à toda aqui, já tá fazendo uns 20 graus de dia, o sol só se põe às 10 da noite), e lá fomos nós, pegando a Saint Jacques, a Blanqui, até o Sena e a Bibliotéque Nationale (duas torres imensas, cheias de gente em fila prá entrar e fuçar lá dentro (biblioteca aberta num domingo: paris n'arrete jamais!). Tem de tudo lá, até salas de cinema e restaurantes. Decidimos não entrar na biblioteca, prá almoçarmos, compramos um dvd com um documentários sobre morin ("un regard sur edgar", parece legal), e tocamos de volta prá casa, pela tolbiac, atravessando uns três arrondissements.

Final de tarde, "Troie": um filmaço, nem vi as três horas passando, é uma experiência (a começar pela sala de cinema, imensa, com som estéreo de verdade), e a história, que é do cacete. Todos os filmes de guerra deviam vir com a inscrição "adaptação livre de 'a ilíada'". Não sei se estreou na Brasil, mas é algo a não se perder, e a não se abstrair pelo tipo de discurso que a crítica certamente vais desfiar, sobre os maneirismos de hollywood, sobre os músculos de Brad Pitt, esta sociologia toda. É filmaço, e pronto!!


posted by Benjamim Picado  # 12:02 PM
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