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terça-feira, outubro 26, 2004

Quand dessiner c'est pas voir

Domingo passado, depois de almoçar nosso habitual cous-cous de domingo, na Maison Internationale, resolvemos dar um arrete-là pra gripe, e tocamos pro Beaubourg, prá ver se conseguíamos entrar na Biblioteca, prá fazer umas pesquisas na midiateca do lugar. No caminho, na frente do Centre Beaubourg, fomos interpelados por um sujeito, que parecia ser um paquistanês, falando comigo em inglês, dizendo "i love your face, and i want to draw it".

Já disse certa vez que sou muito curioso prá saber como é que um caricaturista enxergaria meus traços: suspeito secretamente que não tenho traços caricaturáveis, me acho visualmente muito "plano" (o que quer que isto signifique); nunca fico satisfeito com astentativas de caricatura que já vi dedicadas a mim (são mais do que se pode imaginar, o que não é surpreendente, em se tratando de alguém que dá aula numa faculdade que sempre teve desenhistas entre seus alunos, mas acho que, na maior parte das vezes, isto decorre de um fenômeno que é meio similar ao nosso incômodo com nossas próprias fotografias (uma espécie de narcisismo denegatório, às avessas).

Mas, face ao resultado desta minha última experiência com a caricatura, acho que estamos diante de outro tipo de fenômeno: vejam com seus próprios olhos e vejam se não estou certo.


moi, chez un artiste au beaubourg

Trata-se aqui de um caso típico do que eu chamaria de "capacidade para o desenho", mas divorciada da capacidade para "enxergar o tema", pura e simplesmente. Não é o caso de se supor que eu esteja bem ou mal-representado, mas simplesmente o de não me reconhecer no desenho: este aí na imagem simplesmente não sou eu, e o desenhista poderia ter conseguido a mesma coisa olhando prá outro modelo, ou mesmo sem olhar para nenhum.

Vai sem comentário o fato de que tive que largar 15 euros prá ficar com este desenho: mas, pelo menos eu pechinchei o preço (o que, em se tratando de mim, é uma grande diferença...).



posted by Benjamim Picado  # 9:04 PM (0) comments

segunda-feira, outubro 25, 2004

Un autre pour l'estrade


trois patètes au chatelet

posted by Benjamim Picado  # 9:04 PM (0) comments
Sagas de Paris, feat. André Luiz Picado

Bom, prá recuperar o fio da meada deste diário, tenho que contar algumas de nossas aventuras, coadjvadas (?!) por André, mon cher frère, que esteve aqui, nas últimas duas semanas (e que já deixou saudades e toneladas de fãs, aqui nas Luzes).

Acho que poucos dos que lêem esta lista conhecem ele, mas aqueles que já privaram da companhia dele sabem que conheço poucas pessoas com tanto talento para os tratos sociais como ele: não sei se é um traço característico meu (uma timidez básica, que as pessoas associam à arrogância, por vezes), mas é muito evidente que André tem um talento especial, totalmente oposto ao meu, prá atrair pessoas, coisa que minha leve misantropia não me permite fazer (e se faço, é sem querer, portanto não se enganem, meus amigos).

Pois bem, dia desses, fomos encontrar uma amiga dele, francesa (vejam bem: André veio nos visitar à Paris e, no contexto, nos apresentou uma francesa, amiga dele!): ele a conhecera um pouco antes, no Rio, e, quando vim para cá, ele planejava vir para nos apresentá-la; combinamos um encontro no Instituto do Mundo Árabe, no 5ème (pertinho da Paris VI, um lugar lindo,na beira do Sena, com uma arquitetura deslubrante, aço e vidro), para ver uma exposição sobre os faraós, mas que, descobrimos uma vez lá chegados, ainda não havia começado (só começava no dia seguinte).

Estelle (este é o nome da amiga dele), que é uma garota absolutamente adorável (basta ver a foto e adivinhar), veio com a turma dela (esta aí da foto abaixo), o namorado, cujo nome esqueci (meio tímido, mas que foi se soltando, até ficar bem relaxado com a gente - modéstia à parte, eu e André, juntos, fazemos este tipo de "estrago"), e Charles (que, na foto, me lembra um pouco Rodolfo, em ex-aluno e orientando meu, que agora está em São Paulo, na Abril).


andré, moi, estelle, o namorado dela, betti e charles, chez l'institut du monde arabe

Programa frustrado, fomos para a Mosquée (que nossos franceses, pasmem, não conheciam) tomar thé à la mente com doces típicos da cozinha árabe, e que são um must do lugar, deliciosos (sem contar a própria ambiência do lugar, uma mesquita de verdade). Conversa vai, conversa vem, e eles me perguntam o que estamos eu e Betti fazendo na cidade e, quando disse que estava estudando fotografia e semiótica, Charles perguntou se conhecia o tio dele (a pergunta não foi bem esta: na verdade, ele perguntou se conhecia Rene Burri, ao que respondi que evidentemente que sim, e ao que ele me respondeu que era o tio dele).

Comment?, disse eu, pasmo (mas sem demonstrar, apenas como se não tivesse ouvido direito).

Rene Burri é o tio do cara.

Parêntese: para os eventuais incautos (e incultos) que frequentam este blog (aprendi com os punks que é bom agredir sua audiência, de vez em quando), passo as informações sobre o sujeito em questão, na página da Magnum Photos, só prá dar uma idéia de sobre quem estamos falando:

ReneBurri
Swiss, b.1933
Born in Zürich, René Burri studied composition, color and design at the School for Arts and Crafts in his hometown. Later on as he became a photographer, he also pursued his earlier interests in series of diary-like collages and by integrating writing, painting and photography.
From 1953-55 he worked as a documentary filmmaker and started using a Leica while he was in the military service. In 1955 he made contact with Magnum through Werner Bischof, and his first reportage on deaf-mute children was published in Life and other European magazines.
As of 1956 Burri was traveling in Europe and the Middle East on Magnum assignments. The work he did in Germany was published in his first book with a foreword by Jean Baudrillard. In 1959 Burri became a full member of Magnum; he had just spent six months in South America for his reportage on the gauchos.
In the 1960s Burri photographed artists such as Picasso, Giacometti and Le Corbusier for Du magazine. In 1963, while working in Cuba, he made portraits of Fidel Castro and of a young Che Guevara smoking a cigar, which became famous in poster form. In the 1960s and 1970s Burri reported from war zones in Vietnam and Cambodia, and from Beirut in the 1980s. He shot a number of films among which 'The Two Faces of China' for the BBC.
Burri also co-curated the Magnum exhibition Terre de Guerre (Land of War) with fellow member Bruno Barbey.
Partial Bibliography
Die Deutschen ( The Germans), 1962, rep.1986 Gauchos, 1968 Greece, 1974 René Burri, 1983 René Burri: One World: An Edit, 1988Che Guevara, 1997 Photo Poche, 1998 Monographie, 1998 Cuba y Cuba, 1999Le Corbusier 1999


Enfim, trata-se de uma lenda (ainda viva) do fotojornalismo: algumas das fotos mais incríveis de Che Guevara são dele; algumas das poucas imagens de Cartier-Bresson trabalhando (ele odiava ser fotografado, sabe-se) são dele. Mas sobretudo, trata-se do tio de Charles, que, por seu turno, se mostrou interessado em conhecer meus textos (ele me disse que estuda semiótica dos affiches com Jacques Fontanille, em Limonges).

E é claro que topei passar meus textos sobre fotojornalismo prá ele. Numa dessas, sou convidado pelo sujeito prá prefaciar livro, on sais jamais.

Ê, monde...



posted by Benjamim Picado  # 4:33 PM (0) comments

sexta-feira, outubro 22, 2004

Ten Years After

sei que o título do post é um exagero, mas passei um bom tempo longe do blog, mas por razões que meu público haverá de entender: certa feita (faz algum tempo, já não me lembro), fomos a um espetáculo, no Centre Nationale de la Danse, em Pantin, de um sujeito chamado Xavier Leroy, que era uma nulidade, sendo que, prá arrematar o prejuízo, Betti sentou-se ao lado de uma oriental que tossia prá burro, resultado: pegou uma gripe daquelas, quase duas semanas tossindo seco, dormindo mal, tomando muito remédio e nada.

No dia 5 (estamos em outubro ainda), chega chez nous meu irmão, André, prá passar uns dias nas luzes, férias (as dele) que planejávamos por meses e meses. E não é que o sacripanta me aparece também gripado? Fiquei esses dias no meio de um tiroteio de tosses, espirros, febres, catarros e remédios admninistrados por todas as vias que se possa imaginar, enfin, uma festa gay.


moi et andré au dérrière (ui) du beaubourg

bem, andré já se foi de volta pro rio, betti melhorou e, agora, quem cai gripado sou eu...coff, coff

ninguém merece!


posted by Benjamim Picado  # 1:44 PM (0) comments
...e se a festa mais louca em que vc. já foi virasse uma coreografia?

oito garotas, de tamanhos, idades, tipos e je-ne-sais-plus-quoi diferentes, sacudindo-se num palco, ao som de p.j.harvey, por uma hora. pois bem, ontem fomos ver a última criação de mathilde monier, que é tida como a grande coreógrafa francesa do momento, e eu tive a impressão de estar numa daquelas festinhas bem doidas, com gente dançando de modo esquisito (feito eu danço, como se estivesse no meio de uma crise epilética), e só.
uma hora depois, quando deu o black, a frase de betti disse tudo prá mim: "tomara que tenha acabado".
moi, hein?

posted by Benjamim Picado  # 1:34 PM (0) comments

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