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sábado, dezembro 04, 2004

Felipe do Bosque

Não havia comentado nada, mas Amaranta já está aqui, pro doutorado dela (chegou já tem um mês, um pouco mais que isto), na Paris 3: conseguiu ser liberada do ano do DEA, mas está frequentando os seminários, mesmo assim, e me perguntou se eu gostaria de "filar" alguns. Topei, pois queria saber o que estão fazendo alguns daqueles em que bato, em alguns de meus textos, sobretudo o Phillipe Dubois, que escreveu, no início dos anos 80, um livro que era meio que uma bíblia dos teóricos da fotografia (sobretudo os uspianos e unicampeiros), o L'Acte Photographique.

Ele já esteve no Brasil, foi até à Bahia, dar uns cursos rápidos sobre teorias da imagem e imagens e novas tecnologias: na época (acho que era em 99), eu estava começando a montar meu grupo de pesquisa, e a achamos que o discurso dele era meio elementar demais (ficamos sem saber se ele equalizou o repertório dele, prá não chocar a tigrada, nos trópicos, ou se aquilo era tudo o que ele sabia, mesmo). Ficou uma tal má-impressão que nem acompanhamos as sessões seguintes.

Mais tarde, relendo o livro dele (que existe em português) a sensação de desconforto se aprofundou um pouco mais, muito embora eu notasse que o livro representava meio que uma tendência generalizada das abordagens estéticas contemporâneas da fotografia, e que tem desdobramentos bastante extensos (a revista americana October, por exemplo, é um dos lugares deste tipo de discurso que valoriza a indexicalidade como característica da arte contemporânea), para além do contexto intelectual francês. Nos anos 90, a Critical Inquiry dedicou muitos de seus números a ensaios que advogavam esta espécie de transparência semântica da fotografia, e do qual o texto de Kendall Walton, "Transparent Pictures" é a visão mais acabada.

Graças aos céus, todo este discurso parece começar a cair em desuso, ou então a sofrer uma certa relativização. Por seu turno, Chateau, de quem me sinto bem próximo, tem uma visão bem ácida destas teorias.

Mas o fato é que o tal do Dubois é um sujeito muitíssimo simpático (tem uma leve semelhança fisionômica com Wenders) e, no primeiro dia em que assisti sua exposição (num seminário que tem por atraente título Teorias das Formas Visuais), ele ia lá fazendo uma recapitulação das idéias de Panofsky sobre iconologia, prá servir de preâmbulo a uma discussão sobre algo de que ele ainda não falou (ontem, no segundo dia que frequentei, ele deixou a aula de aula prá comentar as monografias de projetos que foram apresentadas a ele, no início do semestre, prá distribuir os expositores, no calendário do anéee). Bôf...

Semana que vem, talvez, ele confesse finalmente o que vai fazer com a iconologia.

Je serai là.

posted by Benjamim Picado  # 1:13 PM
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