Sagas de Paris, feat. André Luiz Picado
Bom, prá recuperar o fio da meada deste diário, tenho que contar algumas de nossas aventuras, coadjvadas (?!) por André, mon
cher frère, que esteve aqui, nas últimas duas semanas (e que já deixou saudades e toneladas de fãs, aqui nas Luzes).
Acho que poucos dos que lêem esta lista conhecem ele, mas aqueles que já privaram da companhia dele sabem que conheço poucas pessoas com tanto talento para os tratos sociais como ele: não sei se é um traço característico meu (uma timidez básica, que as pessoas associam à arrogância, por vezes), mas é muito evidente que André tem um talento especial, totalmente oposto ao meu, prá atrair pessoas, coisa que minha leve misantropia não me permite fazer (e se faço, é sem querer, portanto não se enganem, meus amigos).
Pois bem, dia desses, fomos encontrar uma amiga dele, francesa (vejam bem: André veio nos visitar à Paris e, no contexto, nos apresentou uma francesa,
amiga dele!): ele a conhecera um pouco antes, no Rio, e, quando vim para cá, ele planejava vir para nos apresentá-la; combinamos um encontro no Instituto do Mundo Árabe, no 5ème (pertinho da Paris VI, um lugar lindo,na beira do Sena, com uma arquitetura deslubrante, aço e vidro), para ver uma exposição sobre os faraós, mas que, descobrimos uma vez lá chegados, ainda não havia começado (só começava no dia seguinte).
Estelle (este é o nome da amiga dele), que é uma garota absolutamente adorável (basta ver a foto e adivinhar), veio com a turma dela (esta aí da foto abaixo), o namorado, cujo nome esqueci (meio tímido, mas que foi se soltando, até ficar bem
relaxado com a gente - modéstia à parte, eu e André, juntos, fazemos este tipo de "estrago"), e Charles (que, na foto, me lembra um pouco Rodolfo, em ex-aluno e orientando meu, que agora está em São Paulo, na Abril).
andré, moi, estelle, o namorado dela, betti e charles, chez l'institut du monde arabe
Programa frustrado, fomos para a Mosquée (que nossos franceses, pasmem, não conheciam) tomar
thé à la mente com doces típicos da cozinha árabe, e que são um
must do lugar, deliciosos (sem contar a própria ambiência do lugar, uma mesquita de verdade). Conversa vai, conversa vem, e eles me perguntam o que estamos eu e Betti fazendo na cidade e, quando disse que estava estudando fotografia e semiótica, Charles perguntou se conhecia o tio dele (a pergunta não foi
bem esta: na verdade, ele perguntou se conhecia Rene Burri, ao que respondi que evidentemente que sim, e ao que ele me respondeu que era o tio dele).
Comment?, disse eu, pasmo (mas sem demonstrar, apenas como se não tivesse ouvido direito).
Rene Burri é o tio do cara.
Parêntese: para os eventuais incautos (e incultos) que frequentam este blog (aprendi com os punks que é bom agredir sua audiência, de vez em quando), passo as informações sobre o sujeito em questão, na página da Magnum Photos, só prá dar uma idéia de sobre quem estamos falando:
ReneBurri
Swiss, b.1933
Born in Zürich, René Burri studied composition, color and design at the School for Arts and Crafts in his hometown. Later on as he became a photographer, he also pursued his earlier interests in series of diary-like collages and by integrating writing, painting and photography.
From 1953-55 he worked as a documentary filmmaker and started using a Leica while he was in the military service. In 1955 he made contact with Magnum through Werner Bischof, and his first reportage on deaf-mute children was published in Life and other European magazines.
As of 1956 Burri was traveling in Europe and the Middle East on Magnum assignments. The work he did in Germany was published in his first book with a foreword by Jean Baudrillard. In 1959 Burri became a full member of Magnum; he had just spent six months in South America for his reportage on the gauchos.
In the 1960s Burri photographed artists such as Picasso, Giacometti and Le Corbusier for Du magazine. In 1963, while working in Cuba, he made portraits of Fidel Castro and of a young Che Guevara smoking a cigar, which became famous in poster form. In the 1960s and 1970s Burri reported from war zones in Vietnam and Cambodia, and from Beirut in the 1980s. He shot a number of films among which 'The Two Faces of China' for the BBC.
Burri also co-curated the Magnum exhibition Terre de Guerre (Land of War) with fellow member Bruno Barbey.
Partial Bibliography
Die Deutschen ( The Germans), 1962, rep.1986 Gauchos, 1968 Greece, 1974 René Burri, 1983 René Burri: One World: An Edit, 1988Che Guevara, 1997 Photo Poche, 1998 Monographie, 1998 Cuba y Cuba, 1999Le Corbusier 1999
Enfim, trata-se de uma lenda (ainda viva) do fotojornalismo: algumas das fotos mais incríveis de Che Guevara são dele; algumas das poucas imagens de Cartier-Bresson trabalhando (ele odiava ser fotografado, sabe-se) são dele. Mas sobretudo, trata-se do tio de Charles, que, por seu turno, se mostrou interessado em conhecer meus textos (ele me disse que estuda semiótica dos
affiches com Jacques Fontanille, em Limonges).
E é claro que topei passar meus textos sobre fotojornalismo prá ele. Numa dessas, sou convidado pelo sujeito prá prefaciar livro,
on sais jamais.
Ê, monde...