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segunda-feira, agosto 02, 2004

Les Vacances à la Bibliothèque

Fechamos praticamente o ciclo de reconhecimento dos acervos das bibliotecas das Universidades (ao menos daquelas em que estamos estudando): já tenho comigo a lista de tudo o que existe de interessante, na Paris 1 e na Paris 8, em livros e periódicos, na área de estética, teorias da imagem, teorias da arte, fotografia e histórias em quadrinhos. Ainda tenho que passar esta lista pro computador: está tudo anotado em meus blocos, discriminado pelos dias de visitas que fizemos por lá.

A biblioteca da Paris 8 parece mais organizada e apta a receber pesquisadores: bastante espaçosa, permite acesso direto aos materiais (eu, que não sou estudante de lá, entrava apenas apresentando o passaporte) e tem uma coleção interessante de periódicos, sobretudo na área de artes (que parece ser o forte deles). A da Paris 1 (que na verdade é a biblioteca setorial da École Doctorale) é, como diz Fresnault, "moins que ridicule": pequena, não dá acesso aos materiais, e tem um acervo muito reduzido. Segundo Chateau e Fresnault, valeria a pena explorar a biblioteca central da Universidade (que, acho, fica na Tolbiac, pertinho daqui de casa). As aulas voltando, talvez passe por lá.

E como as universidades estão em férias, agora (o calendário da Paris 1 fala em retomada das atividades apenas na primeira semana de outubro), chegou a hora de explorar a Biblioteca Nacional...explorar é bem o termo, pois já estamos na terceira visita e cobrimos apenas uma pequena parte do simples reconhecimento do material que existe lá.

É um lugar imenso, dividido em duas áreas bem distintas: o "haut-de-jardin", área de estudos, mais aberta, e com o grosso do acervo bibliográfico em livros e alguns periódicos (apenas com os exemplares mais recentes): já mapeei toda a área de artes lá (especialmente em estética, artes do desenho e fotografia) e também a sala de história do liro (que tem uma prateleira inteira com livros sobre bandes dessinées). Ainda falta explorar a área de filosofia, na qual estão alguns dos periódicos da área de comunicação (a coleção de Communications, por exemplo): nesta semana, mato este levantamento.

Mas "le oh au borogodot" é mesmo a seção do "rez-de-jardin", que é o setor de pesquisa, de acesso restrito (só com uma carta especial, que tem que ser comprada, na entrada), no qual estão as coleções completas dos periódicos, consultáveis sob reserva (eles têm tudo lá), além dos livros mais raros, ou daqueles dos quais existe apenas um exemplar na BNF: já explorei a área de artes (tem menos coisas lá do que no setor de estudos), mas ainda vou buscar os periódicos.

Isto sem contar no acervo audio-visual, que é do balaco: há um setor inteiro do INA (Institut National du Audiovisuel) que mantem um acervo de todas as emissões de interesse cultural feitas em broadcasting, na França, para consulta, em vídeo: só de brincadeira, consultei o que eles poderiam ter de Roland Barthes e de Umberto Eco, e achei umas quatro páginas de documentários, reportagens, e até mesmo de registros sonoros de aulas deles, no Colege de France (tem a aula inaugural de Barthes lá, que virou o livrinho Aula, além do curso inteiro de Eco sobre a procura da língua perfeita, que virou o livro dele sobre o mesmo tema).

Eu e Betti vamos, aos poucos, pegando o jeito de decifrar esta hidra: eu, pela froça do hábito, já estou mais esperto na exploração; Betti ainda tropeça umpouco, mas já vai começando a achar o caminho das pedras, nas allés das arts du spetacle. Prá ela, especialmente, o setor de audiovisual poderá ser um alento, pois muitos espetáculos de dança (especialmente de Maguy Marin e de Pina Bausch estão gravados lá, e já identificamos alguns no sistema de busca deles, pela internet).

Prá quem se interessar em dar uma olhada no que existe aqui, é só entrar na página deles, em:

www.bnf.fr

eles têm um sistema de buscas, prá identificação de todo tipo de acervo existente na biblioteca, chamado bn-opal-plus. é só entrar nele, e fazer a busca, só prá ter uma idéia do que eles têm aqui. Prá quem planeja um doutorado ou um período de estudos aqui é ótimo, pois adianta muito o serviço de reconhecimento do território.

Enfim, estas férias aqui nào serão, decerto, em vão.

Muito bom!



posted by Benjamim Picado  # 11:51 AM
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