From Hell
francis bacon, "man drinking" (1955)
Como já disse antes, aqui nas Luzes, é muita informação ao mesmo tempo prá se digerir de uma vez: se fosse o caso, frequentaríamos todas as exposições, veríamos todos os filmes, iríamos a todos os museus, faríamos todas as viagens, mas não nos sobraria mais tempo pr'aquilo que estamos a fazer aqui, isto é, estudar um pouco mais sossegadamente...
Pois é, temos em nosso quadro de avisos, aqui na sala, uma penca de coisas marcadas prá ver, mas com muito pouco tempo prá fazê-lo: ainda outro dia, ao tentarmos fazer nossas reservas prá temporada de dança 2004/2005, descobrimos que a programação do Théâtre de la Ville já estava esgotada. Resultado: prá ver nossos espetáculos favoritos, vamos ter que nos plantar na porta do teatro de novo, "en cherchant des places"...
Quase perdemos uma exposição do Francis Bacon, no Musée Maillol (que pertence a uma fundação criada por uma ex-modelo do Matisse, Dina Vierny), mas, por sorte, a dita exposição ("Le Sacré et le Profane"), que iria até o final de junho, foi prorrogada até 15 de agosto. Domingo último, nos "picamos" prá lá, prá ver qualé (ou "qual era"): Betti é maluca por ele, mais do que eu (desta escola inglesa contemporânea, prefiro Lucien Freud, que é mais "palpável"), mas mesmo ela se frutrou um pouco com o que lá viu.
Exposições são sempre temáticas e, neste caso, tratava-se de sumariar o tratamento que Bacon dera aos temas religiosos na pintura, como a crucifixão e os retatos de papas e arcebispos: o problema é que o melhor da produção dele neste item não estava lá (havia vários ensaios sobre o Inocêncio X, de Velásquez, mas o mais famoso deles não estava lá). Além do mais, havia coisas que estavam fora do contexto, como ensaios sobre retratos.
Por outro lado, a coleção permanente do museu é uma pequena preciosidade: coleções de desenhos de Matisse e de Maillol, quase todos tendo como tema a tal da Dina (que devia ser uma mulher "daquelas"...). Devo confessar que estou cada dia mais encantado com a arte do desenho, e juro que não vou perder a exposição que está na Mairie do 5éme, na frente do Panthéon, com desenhos de ninguém mais que...Albrecht Dürer!!!
Voltando a Bacon, no final das contas, o melhor mesmo da exposição foi um vídeo, exibido no sub-solo do museu, com uma entrevista da TV francesa (circa 1962), em que ele está nitidamente embriagado, tentando fazer graça com o entrevistador, ao mesmo tempo em que saracoteia diante da câmera (qual ator de filmes de Glauber), fugindo também de um "amiguinho" que tentava, a todo custo, subtrair-lhe o copo de vinho de sua mão.
Drôle.