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quarta-feira, junho 16, 2004

Nosso primeiro incidente com as forças da ordem

Pois é, faz tanto tempo que não escrevia no blog, que acabei não lembrando de nosso primeiro encontro traumático com as forças policiais francesas. Ricardo Bittencourt, um ator baiano (ele era dos Catedrásticos), que trabalha com o Zé Celso (do Teatro Oficina, em São Paulo), amigo de Betti, estava aqui em Paris, semana passada, passando um tempo conosco (o Oficina fez uma turnée alemã, e ele resolveu dar uma pernada até aqui).

Pois bem, no sábado, saíamos nós mais ele e um amigo (também ator e diretor), na direção da Gare de l 'Est, prá resolver umas questões da volta dele prá Alemanha, quando entramos pela estação Chatelet do Metrô. Passamos eu, Betti e Ricardo na borboleta, mas o amigo dele ficou travado, porque o bilhete estava vencido. Tentou voltar na bilheteria prá comprar um bilhete novo, mas os guichês estavam fechados.

Eu e Betti, então, escolados que somos, abrimos uma passagem prá ele, pelo portão de saída, e íamos, serelepes, na direção da estação, sem suspeitar que havíamos sido filmados; chegando na linha do metrô, fomos parados por uns quatro fiscais, todos querendo nossos documentos e nossas cartas de metrô (só eu e Betti falávamos francês). Mostramos os ditos (eu e Betti saímos limpos, mas Ricardo não tinha posto a foto na carte orange dele, uma carteira especial de metrô, o que dava uma multa de 20 euros). Isto sem falar no outro, que estava sem bilhete mesmo (multa dele: 40 euros). Total do prejuízo: 60 euros.

Betti, prá não deixar de ser Betti, argumentava com os sujeitos, dizendo que Ricardo estava regular e que a falta do retrato pderia ser perdoada; uma policial mulher, nojentinha como poucos, argumentava que que ele nem deveria ter comprado a carte orange, se estava na cidade por pouco tempo (o que deixou Betti furiosa, porque Ricardo tinha comprado a tal carta por recomendação da funcionária do metrô, quando ele chegou a Paris). A cena era ridícula, e, num determinado momento (dada a nossa resistência em pagar a multa), parecia que íamos parar na Delegacia.

Eu só observava a cena e intervinha, de quando em vez, prá ouvir um "tête-toi" de um policial japinha ridículo (cheio de espinhas na cara...), até que finalmente resolvi pagar o prejuízo todo (eu era o único que tinha o dinheiro). Mas a melhor parte da história foi a final, quando já nos afastávamos do grupo sinistro, e a mulherzinha se virou prá nós, dizendo "fiquem sossegados, 60 euros não é nada, e vcs. só estão aqui de passagem". Betti, qual um centroavante, pegou a frase, e devolveu, na veia, em francês: "Já você, pelo jeito, vai passar o resto de sua vida enfiada nesta toca...".

Touché!


posted by Benjamim Picado  # 10:15 AM
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