Ontem, fomos ao Beaubourg, no Centre Pompideau, ver o que a biblioteca de lá poderia ter de interessante: uma fila imensa às 10 da manhã de sábado (eu achava que todos tinham ido viajar...), mas entramos logo e, no terceiro andar, ficamos lá esmiuçando a biblioteca de artes. Muita coisa interessante, inclusive uma midiateca, com tudo o que se possa imaginar em termos de acervo de imagens (Betti ficou vendo uns vídeos de dança, e eu, semana que vem, vou ver se eles têm programas de televisão, tipo "Apostrophe", prá treinar a escuta do francês).
De minha parte, andei pelo setor de periódicos e por três coluninhas de uma estante de história da arte e estética: deu prá encher umas três páginas de meu bloco de notas, com referências interessantes, prá ler e anotar depois. Já vi que vou ficar mais tempo lá e na Bibliotéque Nationale, do que nas bibliotecas universitárias (ao menos a da Pars 1). E olha que nem falei do segundo andar, de filosofia e ciências humanas, ooh, la, la...
Saindo de lá, umas quatro horas depois, meio zonzos de fome, paramos na loja da Flammarion, onde deixei alguns ricos euros, em troca de um cd triplo com o "adecedaire de Deleuze" (é engraçado o jeito como pronunciam o nome dele, aqui: algo assim como "d'louze"). Trinta euros que ainda não sei se bem gastos, mas que, por enquanto têm valido pelo bônus, no terceiro cd, com uma conferência dele em Femis, em 1987 (logo depois do lançamento de "L'Image-Mouvement"), em que ele fala do ato da criação, no cinema, na literatura e na filosofia (só na última, diz ele, pode-se dizer que há criação des idées,
parce que les idées ne sont pas quelque chose de courant ou d'ordinaire. Ça serait donc ridicule d'attendre q'une mathématicien, par exemple, en pourrait crées, au millieu des ses calculs logiques). Maravilha!
Já o tal abecedaire... parei na letra "A", de "Animal": numa certa altura, ouvindo as divagações do dito, enquanto tomava seu banho, Betti gritou, lá do box: "mas que papo mais oreba é esse aí? esses sujeitos fumaram o quê?!" Esperançoso de ver algo de redentor nas letras seguintes, dou em "B" comme "boire" (e por que não Bergson?), até Z como "zigzag" (!?). Pouco animador, a não ser pelo C (Culture), I (Idée), K (Kant), L (Litterature), N (Neurologie), P (Professeur), W (Wittgenstein). Enfim, quando cobrir o dito, dou notícias de minhas impressões.
A demain, ou apés...