Cite Univesitaire, 24 de marco de 2004.
Como nos instalamos na rede, aqui na Maison, apenas na ultima semana, volto um pouco no tempo, pra falar de nossa nossa chegada a Paris (to escrevendo no dia 07 de abril).
Se eu pudesse definir a viagem, seria algo como um voo tranquilo, mas daquela esp?cie de calma que se experimenta bem no olho de um furacao tropical: uma paz cercada de agitacao e contratempos por antecipacao. Sobretudo, me lembro de olhar para o meu relogio, quando o aviao comecou a taxear, pra decolagem, ainda em Salvador, e ele marcava 3:35 da manha (a saida estava prevista para duas horas antes, mas a operacao-padrao dos federais atrasou tudo). Parecia um prenuncio.
Uma vez la dentro, entretanto, tudo foi muito tranquilo, e mesmo na chegada a Lisboa, nao tivemos muito problema pra obter rapidamente uma conexao pra Paris.
Nossa preocupacao era com o que nos aguardava na Maison du Bresil, pois suspeitavamos que eles nos cobrariam o aluguel do mes em que nao estiveramos la (pois nossa reserva comecara no dia 1 de marco): pior que isto, Isa (que ja estava aqui) houvera nos advertido que eles poderiam cobrar pelo periodo em diarias, o que praticamente nos arrombaria financeiramente de chegada, na Franca.
Passamos eu e Betti um bom tempo pensando, discutindo e ensaiando o melhor modo de argumentar com o povo de la, pra nao sermos depenados (de qualquer modo, tinhamos a casa de Isa pra ficar, em ultimo caso). Minha maior preocupacao era a de que estavamos com muita carga e nao poderiamos ficar vagando daqui pra la, num fim de tarde provavelmente cheio de gente e de trafego na cidade.
Enfim, eles nos cobraram "apenas" o mes de marco (770 euros menos o que ja haviamos pago pela reserva do quarto), e nos instalamos, imediatamente. Betti, como de habito, nao se entregou ainda, e vive a maquinar a melhor maneira de contornarmos esta situacao e recuperarmos pelo menos a parte do que pagamos referente a marco, ao chegarmos a Cite. Ela ta animada com a possibilidade de oferecer cursos de Pilates pro pessoal aqui, e, no minimo, recuperar este prejuizo inicial com o pagamento das aulas (um dia, talvez, eu descubra um jeito de empregar algum talento meu, deste modo).
Queria poder mostrar o apartamento aqui (agora, sim, vou precisar de uma camera digital!!!), que e' mais ou menos o que eu pensava que poedria ser, em termos de dimensoes. Um pouco menor do que o andar de baixo de nosso ape, em Ondina, mas muito gostosinho e confortavel: pro que pagamos por ele, diria que foi um bom negocio vir pra ca, e nosso sentimento hoje e o de que podemos permanecer aqui ate o fim do periodo.
Ele ta todo equipadinho (so nao tem a televisao, e esta sendo um exercicio "zen" me abster dela por um tempo, mas Paris sempre ajuda com as alternativas!!!!), e a impressao que eu tenho e' a de morar num espaco que foi concebido pra ser um aviao ou uma espaconave (especialmente quando tenho que entrar no banheiro).
Como e primavera aqui, a noite demora muito pra cair, e nos, sem sono, estavamos loucos pra ver alguma coisa da cidade, relembrar algum lugar que houvessemos conhecido. Como da ultima vez que estivemos aqui, saimos ao acaso, pelo metro, imaginando o que poderiamos encontrar, parando numa estacao qualquer: saltamos no jardin de Luxembourg e tomamos um vinho com uma soupe a moignon num Cafe pertinho do Pantheon, o Le Cercle, que, bem, ja virou nossa lembranca favorita nesta primeira semana (ainda hoje pasamos na frente dele, e ficavamos gritando, dentro do onibus, feito loucos: "e' ele, e' ali, olha!!!").